Irineu Marinho não se deixou abater pela perda do jornal de maior sucesso da época. Quase 150 dias após deixar a presidência de A Noite, lançou seu novo vespertino, O Globo. 


A morte do cangaceiro Lampião

O gosto pelo furo de reportagem sempre foi uma marca do jornal. Roberto Marinho se entusiasmava a cada chance de divulgar uma história em primeira mão.  A notícia da morte de Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião, e sua mulher, Maria Bonita foi uma delas. A manchete era  “Livre o nordeste do maior de seus bandoleiros”. Nesse mesmo dia, o jornal mostrava que o líder dos cangaceiros havia sido surpreendido por uma emboscada comandada pelo tenente João Bezerra, da Força Pública alagoana. João Bezerra tinha capturado um “coiteiro” amigo de Lampião, que o levou e aos seus soldados ao esconderijo do “Rei do Cangaço”, na fazenda dos Angicos, no interior do Sergipe. Em 28 de julho de 1938, Lampião junto com Maria Bonita e mais 11 cangaceiros foram mortos e tiveram suas cabeças decapitadas.

As informações sobre a morte de Lampião chegaram à redação de O Globo pelos telegramas enviados por um repórter-amador. Na matéria do dia 28 de julho de 1938, o jornal destacou a morte de Maria Bonita, a popularidade de Lampião e o interesse das tropas federais, principalmente depois da Revolução de 30, de pegar o chefe dos cangaceiros.

Em dezembro de 1977, o jornal faz menção a uma imagem, registrada por volta de 1933, em que Virgulino Ferreira aparecia com um exemplar de O Globo nas mãos. A fotografia pertencia ao arquivo pessoal de Waldemar de Souza Lima, primo de Taciano Vital, um caixeiro viajante que, na época, comprou a fotografia por um conto de réis e a usava como salvo conduto para circular livremente pela área do cangaço.