Irineu Marinho não se deixou abater pela perda do jornal de maior sucesso da época. Quase 150 dias após deixar a presidência de A Noite, lançou seu novo vespertino, O Globo. 


Desfiles das escolas de samba

O primeiro desfile das escolas de samba do Rio foi patrocinado pelo jornal Mundo Sportivo, em 1932, através de uma iniciativa do seu proprietário Mário Filho, que também trabalhava em O Globo. No ano seguinte, o jornal de Roberto Marinho decidiu patrocinar o evento. Reuniu, na época, os representantes das escolas de samba para estabelecer as primeiras normas nos quesitos de avaliação como: harmonia, poesia do samba, enredo, originalidade e conjunto. Decidiu também que a comissão julgadora deveria ser composta por jornalistas e intelectuais. Do regulamento organizado pelo jornal, um ponto permanece até hoje nos desfiles: a obrigatoriedade da ala das baianas.

Como o jornal dizia, o desfile tinha o objetivo de apresentar “o samba de morro legítimo, com espírito”. Inscreveram-se na competição 24 escolas de samba como “Mocidade Louca de São Cristóvão”, “Mangueira”, “Prazer da Serrinha” e “Unidos da Tijuca”. O Campeonato foi realizado no domingo de Carnaval na Praça Onze.

Nos meses que antecederam o carnaval em 1932 e 1933, O Globo criou a seção Carnaval, que destacava informações sobre os bailes e as batalhas de confete e lança-perfumes que estariam sendo realizadas nos clubes e nas ruas do Rio. Participaram da cobertura do desfile os jornalistas Jofre Rodrigues, irmão de Mário Filho, Armando Reis e Carlos Pimentel. O jornal publicou ainda uma nota editorial na coluna Ecos, que exortava as autoridades “a vigiarem a moralidade e decoro necessários às manifestações de rua”, além de um amplo noticiário que ocupou quase todo o jornal na quarta-feira de cinzas.