Roberto Marinho chegou ao ano 2000 com 95 anos de idade. Morreu três anos depois e deixou um legado para as gerações que darão continuidade ao trabalho que começou nos primeiros anos do século XX. O Globo ganhou novos diretores, lançou suplementos voltados para a responsabilidade social, como o Razão Social e o Planeta Terra que se fundiram e deram origem à revista O Globo Amanhã, para mostrar o trabalho de empresas comprometidas com o desenvolvimento e a sustentabilidade do planeta, e conquistou de vez as plataformas digitais.


Novas plataformas e formatos

Nos anos em que Rodolfo Fernandes esteve à frente do jornalismo de O Globo, houve várias inovações. O site do jornal, lançado em 1996, foi consolidado. A página era a extensão na internet dos serviços oferecidos pelo impresso. Dez anos depois, o portal Globo Online foi modificado e ganhou  novo formato.

Em 2002, dois novos cadernos de classificados passaram a circular em Niterói e em São Gonçalo. No mesmo ano, foi lançado também um suplemento especial, o Planeta Terra, a primeira edição mensal sobre o Meio Ambiente. Houve quatro números.

No ano seguinte, chegou às bancas o suplemento Razão Social que mostrava o trabalho de empresas socialmente responsáveis. O caderno circulou durante nove anos. Os Jornais de Bairro ganharam um guia de serviços. Em 2004, nasceu a Revista O Globo, em substituição ao Jornal da Família. A nova revista complementou a edição de domingo, com um noticiário voltado para reportagens de comportamento, ciência, saúde, educação, culinária, moda, beleza e decoração. Na estreia, textos da escritora gaúcha Martha Medeiros, do escritor Paulo Coelho, do chef José Hugo Celidônio, do psicanalista Albert Godin e do professor Pasquale Cipro Neto. Três anos depois, a revista O Globo passou por mudanças gráficas e editoriais.

Em 2007, o Globo lançou o Globo.mobi, seu primeiro site de notícias para telefones celulares. No mesmo ano, a Revista da TV também ganhou novo formato gráfico. As mudanças incluíam um novo logotipo, que valorizava as imagens da capa e o uso de  cores nas páginas.

Em setembro de 2008, O Globo lançou a campanha publicitária “O Globo. Muito além do papel de um jornal”, criando a ideia de uma marca de confiança, independente do meio onde é veiculada. A campanha, junto com a unificação da marca (jornal impresso e site) e o lançamento do Eu-repórter, buscava aumentar a interatividade dos leitores com o jornal.

No mesmo mês, o jornal O Globo e o Globo Online ganharam uma única marca. O site deixou de ser Globo Online e passou a se chamar O Globo.  No jornal impresso é dado maior destaque para os links do site, com observações ao final das reportagens indicando que mais informações e fotos podem ser acessadas no formato digital. O site ganhou a seção Eu-repórter, onde são publicadas notícias e fotos enviadas pelos leitores. Foi lançada também a Revista Digital, que substituiu o suplemento Info.

Atento às mudanças tecnológicas de seu tempo, O Globo foi pioneiro no lançamento de publicações em dispositivos digitais. Em 2009, disponibilizou o conteúdo do jornal no Kindle, o livro digital (e-book), da Amazon.

Ainda em 2009, foi lançada uma campanha que convidava os leitores a discutir os problemas da cidade e do país. “Nós e você. Já são dois gritando” era o conceito da segunda fase da campanha “Muito além do papel de um jornal.”  Os leitores ganharam um ambiente especial para enviar denúncias e sugestões, por meio de cartas, e-mails, fotos ou vídeos. Além disso, a cada semana dois temas foram alvos de uma enquete popular. O assunto mais votado ganhava uma reportagem especial, feita pela equipe de jornalistas do Globo e publicada no jornal impresso e no site. Foi neste período também que o jornal apostou nas redes sociais e a Infoglobo lançou o site de relacionamento “O Livreiro” e entrou na briga pela inclusão literária.

Um ano depois, a versão digital do jornal passou a ser disponibilizada para iPad, tablet da Apple lançado naquela mesma semana.

Além das inovações digitais, o conteúdo do jornal conquistou força. Marcello Moraes, ex-diretor geral da Infoglobo explica: “Nós somos produtores de conteúdo e de qualidade. Temos que começar com essa frase em tudo que a gente faz. Então, como produtor de conteúdo de qualidade, como é que vai ser o futuro dessa empresa? Estamos numa empresa que tem multiprodutos e multiplataformas. Tem uma crença muito grande de que o jornalismo vai ficar cada vez mais forte. Cabe à nós desenvolver e trabalhar em que modelo de negócio sustentável essa empresa precisa ter. Não adianta ter um jornalismo maravilhoso, um milhão de leitores acessando o nosso site, um milhão de leitores lendo os nossos produtos se o modelo de negócio não é sustentável. Nós precisamos ter um modelo de negócio sustentável até para mantermos a nossa total independência.”

Marcello Moraes avaliou, ainda, alguns projetos de O Globo, como o Faz Diferença, o Rio Gastronomia e o Aquarius: “O Projeto Aquarius é um projeto do Roberto Marinho. Foi um desejo maravilhoso que ele tinha e uma coisa que a cidade aceitou de braços abertos. No dia que fizemos o Aquarius no Complexo do Alemão, eu olhei e disse: ‘Nossa, eu nunca ia imaginar que ia ter esse retorno do público tão positivo.’ A gente acha que a pessoa não vai gostar, mas é porque não tiveram a chance de experimentar. Então, um projeto como esse, do doutor Roberto, foi mantido e se transformou numa estrutura de negócios. E foi assim também com o Rio Gastronomia e o Rio Faz Diferença”.

A seção Opinião ganhou novo formato, com mais uma página e novos colaboradores. A mudança, que aconteceu em 2011, incluiu mais espaço para o editorial e  artigos assinados. Para o editor de Opinião de O Globo, quanto mais posições contraditórias tiverem espaço no jornal, melhor. É o leitor quem deve decidir o que está certo e o que está equivocado. "Exemplo de pluralismo é o fato de o jornal ter opinião fechada sobre alguns assuntos absolutamente oposta a de seus colunistas, como é o caso da cota racial. A Miriam Leitão e o Elio Gaspari  são a favor. O jornal é contra. A gente está sempre à procura do equilíbrio. Mais à direita, mais à esquerda e, evidentemente, qualidade de texto e boa cabeça. O Globo tem esse movimento saudável de ter gente diversificada escrevendo."

Um quadro chamado Dos Leitoresque substitui a seção Carta dos Leitores. A seção ganhou ainda uma área exclusiva para o conteúdo produzido por leitores dos produtos digitais de O Globo (Eu-Repórter, twitter, etc.). Os destaques do dia ganharam anúncio no horário nobre da Rede Globo. O slogan “Enquanto isso no Globo “substituiu o “Leia Amanhã no Globo.” As chamadas continuaram a ser feitas por jornalistas de diferentes editorias.