Em 20 anos, a Rádio Globo cresceu, inovou e se tornou líder de audiência. A partir da década de 1950, o slogan “música, esporte e notícia” passou a orientar a programação da rádio. Os locutores adotaram uma linguagem mais coloquial, com objetivo de se aproximar cada vez mais do ouvinte. A participação direta do público, inovações nas transmissões de grandes eventos esportivos, e programas que abriam os microfones da rádio para celebridades foram alguns dos elementos que levaram a Globo a conquistar, em 1964, a liderança de audiência.


Liderança

A Rádio Globo AM firmou-se, a partir de 1964, como líder de audiência em todos os horários. Adelzon Alves, então locutor de noticiários e comerciais, passou a ocupar as madrugadas da rádio com um programa que ia ao ar das 00h20 às 4h da madrugada.

Programa de Adelzon Alves, 23/08/1985. Antonio Nery/Agência O GloboTambém chegou à Rádio Globo o locutor José Carlos Araújo, o Garotinho, contratado como plantonista. “A redação era pequena. Ainda usávamos o sistema antigo, máquina de escrever, e os principais locutores do Globo no ar eram o Áureo Ameno, Cláudio Moisés, Dalton Ferreira, Glauco Fassheber e Wolney Silva”, rememora José Carlos Araújo sobre o noticiário que ia ao ar de hora em hora. Outros grandes nomes do rádio passaram pelos microfones da emissora, como Roberto Figueiredo, Mário Luiz, Paulo Giovanni, Francisco Barbosa, Haroldo de Andrade, Edmo Zarife, Paulo Barbosa, Wladir Vieira e Paulo Lopes.

No primeiro dia de 1966, a Rádio Globo começou a transmitir o Repórter Esso, um marco do radiojornalismo brasileiro, veiculado pela Rádio Nacional desde 1941. O noticiário ficou no ar na Globo até 31 de dezembro de 1968, quando o locutor Roberto Figueiredo se despediu, chorando, dos ouvintes que haviam acompanhado por quase três décadas o célebre noticiário.

“A Rádio Globo tem o formato do meu coração.” (Luiz Mendes, comentarista esportivo)

A apresentadora Zora Yonara, que ficou famosa por suas previsões astrológicas, conta como entrou para a Rádio Globo: “Fui apresentada pelo autor Moysés Weltman ao Mário Luiz, e fui trabalhar no programa A Vida é Assim como atriz, como Creusa Gramacho. Dias após ter começado, o Mário Luiz mandou me chamar: ‘Vem cá, você quer fazer o horóscopo?’ Eu falei: ‘Que horóscopo?’ Ele respondeu: ‘Esse horóscopo aqui. Nós temos um professor, mas ele é um pouco pessimista. Por exemplo: Hoje o dia está mais ou menos, mas amanhã tenha muito cuidado, se puder, nem saia de casa.’ Eu topei, gravei com o Formiga (José Carlos Barbedo), 50 vezes gravando a mesma coisa. Estreei junto com o Haroldo de Andrade.

TV GLOBO

“Muito jovem, habituei-me à ‘instituição do risco’ – e risco num setor extremamente instável como era então o jornalismo, que ainda estava longe do perfil empresarial que, com o tempo, viria naturalmente a assumir.” (Roberto Marinho)

Em 30 de dezembro de 1957, a Rádio Globo recebeu do presidente Juscelino Kubitschek a concessão para o estabelecimento de uma estação de radiotelevisão no Rio de Janeiro. O pedido, feito e aprovado seis anos antes, havia sido revogado em 1953 por Getúlio Vargas. Inaugurada por Roberto Marinho, a TV Globo foi ao ar pela primeira vez em 26 de abril de 1965.