Em 20 anos, a Rádio Globo cresceu, inovou e se tornou líder de audiência. A partir da década de 1950, o slogan “música, esporte e notícia” passou a orientar a programação da rádio. Os locutores adotaram uma linguagem mais coloquial, com objetivo de se aproximar cada vez mais do ouvinte. A participação direta do público, inovações nas transmissões de grandes eventos esportivos, e programas que abriam os microfones da rádio para celebridades foram alguns dos elementos que levaram a Globo a conquistar, em 1964, a liderança de audiência.


Futebol

A final da Copa de 1950 foi transmitida ao vivo, do Maracanã. O narrador do jogo, Luiz Mendes, foi uma das poucas vozes a gritarem ‘gol’ assim que a bola balançou a rede do Brasil diante de mais de 170 mil torcedores incrédulos. Suas inflexões, ao anunciar o segundo ponto do Uruguai, eram uma extensão da voz dos brasileiros: espanto e tristeza ao ter que pronunciar o gol.

Os comentaristas Waldir Amaral e Jorge Cury na Rádio Globo, sem data. Acervo Ed. GloboEm agosto de 1961, o radialista Waldir Amaral foi contratado para chefiar o departamento de esporte da Rádio Globo. Amaral inovou as transmissões adotando um estilo muito característico de locução e foi um dos primeiros a criar bordões, tais como “o relógio marca”, “tem peixe na rede” e “choveu na horta”.

Em 1968, ano marcado por tristeza e medo na vida política do país, a seleção participava das eliminatórias para a Copa do Mundo no México. Não havia muito entusiasmo para o torcedor incentivar sua seleção. O comunicador Edmo Zarife e o produtor técnico José Cláudio Barbedo, o Formiga, criaram a vinheta sonora “Brasiiiil!”. Desde então este é o bordão oficial dos jogos do Brasil em Copas do Mundo, Olimpíadas e disputas de campeonatos mundiais das várias modalidades esportivas.

“Com a visão que o Dr. Roberto Marinho tinha, sabia que se o João Saldanha fosse para a Rádio Nacional, nós íamos perder ponto.” (Luiz Mendes, comentarista esportivo)

Em 1972, Jorge Cury juntou-se ao time de feras da locução esportiva. A contratação de João Saldanha, o treinador que levou a seleção brasileira de futebol a se classificar para a Copa do Mundo de 1970, e que tinha sido afastado por imposição do presidente Médici, foi o próximo passo de Roberto Marinho. Como afirmava o comentarista esportivo Luiz Mendes: “O Dr. Roberto Marinho descobriu que o João Saldanha estava na marca do pênalti para ser afastado da seleção brasileira. Chamou o Waldir Amaral e pediu que ele o contratasse.” Na Copa de 1970, a Rádio Globo contou com um time de primeira: além de Waldir Amaral e João Saldanha, outros radialistas, como Washington Rodrigues, Denis Menezes e Luiz Mendes, participaram das transmissões. Jorge Curi ainda não estava nos quadros da rádio, mas atuou ao lado de Waldir Amaral por conta de um pool com a Rádio Nacional e a Rádio Gaúcha.

A cobertura esportiva sempre foi um dos destaques do Sistema Globo de Rádio. Na Copa do Mundo de 1978, realizada na Argentina, foi montado um esquema de transmissão de jogos em circuito permanente, durante 24 horas, ligando Buenos Aires, Mar Del Plata, Córdoba e Rosário. Em 1986, a Rádio Globo transmitiu a Copa do Mundo ao vivo, diretamente do México. Para tal, alugou uma emissora mexicana – a 820 AM de Guadalajara, provisoriamente batizada de Rádio Mexicoração – e colocou no ar todas as notícias da Copa, simultaneamente, para um pool de 170 emissoras no Brasil. Além dos jogos, a emissora transmitia outros conteúdos, como o Programa Haroldo de Andrade, ao vivo do México, e músicas de Roberto Carlos. A tradição de mobilizar equipes e não poupar esforços em infraestrutura e tecnologia para fazer uma grande cobertura no principal evento esportivo de futebol se repetiu nas Copas que se seguiram.