Em 20 anos, a Rádio Globo cresceu, inovou e se tornou líder de audiência. A partir da década de 1950, o slogan “música, esporte e notícia” passou a orientar a programação da rádio. Os locutores adotaram uma linguagem mais coloquial, com objetivo de se aproximar cada vez mais do ouvinte. A participação direta do público, inovações nas transmissões de grandes eventos esportivos, e programas que abriam os microfones da rádio para celebridades foram alguns dos elementos que levaram a Globo a conquistar, em 1964, a liderança de audiência.


Nova sede

Em 1956, a rádio se transferiu para o novo edifício do jornal O Globo, na Rua Irineu Marinho, onde inaugurou, no ano seguinte, seu primeiro auditório, com 500 lugares. Sobre as novas instalações, Teixeira Heizer, comentarista esportivo, relembra: “A Rádio Globo era ali na Irineu Marinho, 35, no quarto andar. Tudo ficava ali: o jornal, um restaurante, a rádio e, em cima, tinha uma espécie de apartamento onde o Dr. Roberto Marinho descansava.”

Apesar de facilitar a dinâmica do grupo Globo, a concentração do jornal e da rádio sob o mesmo edifício criou situações inusitadas, como recorda o locutor Luiz de Carvalho: “Tinha dias em que havia até 20 artistas lá na rádio. E houve queixas da redação de O Globo junto ao Dr. Roberto, por causa da algazarra. Porque onde o artista vai, vai o fã.  Então ele mandou me chamar: ‘Não podemos prescindir dessa gente. Entre nove horas e meio dia, as meninas (do rádio), ao invés de entrarem pelo corredor, pela oficina, vão entrar pelo elevador da frente.’ Então ele botou o elevador exclusivo de uso dele e da alta direção de O Globo, naquele horário, para que elas entrassem sem perturbar ninguém, sem gritos na oficina ou na redação. Era assim que o Dr. Roberto atuava.”