Um faro visionário e talento para negócios foram os ingredientes que levaram Roberto Marinho a comprar a frequência 1180 kHz, faixa PRE-3, para criar a Rádio Globo. Com sua habilidade transformou, em poucos meses, a Rádio Transmissora do Rio de Janeiro numa emissora de grande sucesso.


Inauguração

A Rádio Globo estreou na noite de 1º de dezembro de 1944, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, durante uma solenidade que contou com a apresentação da pianista Magdalena Tagliaferro e da Orquestra Sinfônica Brasileira, sob a regência do maestro José Siqueira. A grande musicista abriu o programa tocando Sonata em Ré Maior, de Mozart.

“Roberto Marinho sempre viu adiante do seu tempo. Em 1944, ele percebeu a força que o rádio tinha.” (Hélio Tys, jornalista, redator e produtor)

 As primeiras palavras da nova emissora, na voz de Rubens Amaral, foram: “Aqui fala a Rádio Globo diretamente do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Brasil.” Sobre a noite memorável, o locutor recorda: “Lembro bem que estávamos todos no Teatro Municipal, homens e mulheres, vestidos a rigor com smoking, black-tie. Eu disse que a Rádio Globo nascia para servir à comunidade deste país, e depois anunciei o seu prefixo, PRA-3 Rádio Globo, Rio de Janeiro, Brasil.”

Em seguida, Roberto Marinho fez seu discurso inaugural. “Não é propriamente uma estação de rádio que hoje inauguramos. É uma nova modalidade dos serviços d’O Globo à nação, que agora se ampliam. Fazemo-lo em nome dos maiores interesses da nossa arte e pensamento.”

Desde o início, ficava clara a estreita relação entre a Rádio Globo e o jornal O Globo. Durante muitos anos, a partir de 1955, a rádio teve como endereço o mesmo prédio do jornal, e seu primeiro gerente de esportes era também editor-chefe da seção no periódico. Além disso, ao longo de toda a sua história a emissora apresentou programas que faziam menção ao veículo impresso, como O Globo no ar, O Seu Redator-Chefe e Correspondente Globo

“A inauguração da Rádio foi uma beleza. O Dr. Roberto estava com toda a família, sua mãe, Dona Francisca, e sua esposa, Dona Stella Goulart Marinho”, relembra Luiz de Carvalho, radialista e locutor.