Um faro visionário e talento para negócios foram os ingredientes que levaram Roberto Marinho a comprar a frequência 1180 kHz, faixa PRE-3, para criar a Rádio Globo. Com sua habilidade transformou, em poucos meses, a Rádio Transmissora do Rio de Janeiro numa emissora de grande sucesso.


Transmissões regulares

No dia 2 de dezembro de 1944, iniciaram-se as transmissões regulares. Houve uma série de shows e programas transmitidos dos auditórios da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e do Teatro Rival, na sede da Rua Álvaro Alvim, na Cinelândia, no Centro do Rio de Janeiro.

“Malgrado não ter mais de um mês de vida, o rádio já é um sucesso. Só está precisando de uns retoques, pois quero dar-lhe a mentalidade do Globo nas falas dos speakers, nos sketchs, em todos os programas.” (Roberto Marinho, em carta endereçada ao irmão, Ricardo Marinho, em 1945)

O surgimento da Rádio Globo foi noticiado pelas emissoras norte-americanas National Broadcasting Company e Columbia Broadcasting System, que homenagearam a nova estação com uma irradiação especial sobre a vida de Irineu Marinho, pai de Roberto Marinho e fundador do jornal O Globo.

A Rádio Globo transmitia, inicialmente, programas de radioteatro, notícias, esportes e música. O jornalista Hélio Tys, que trabalhou na rádio, aponta a importância de sua criação. “A Rádio Nacional, que era uma emissora incorporada ao patrimônio da União e, portanto, tinha um orçamento no Estado Novo absolutista de Getúlio Vargas, tinha tanta força que se tornara a maior emissora do país. E o que Roberto Marinho percebeu antes de todo mundo? Que o rádio seria o jornal de amanhã. Que foi que ele fez? Para começo de conversa, ele comprou a Transmissora e a inaugurou. Depois trouxe Amaral Gurgel, o maior novelista de rádio de todos os tempos, para dirigir o radioteatro da Globo. Trouxe o Maestro Gaó e fez uma rádio maravilhosa.”