Com o crescimento da produção de novelas da Rede Globo, a Som Livre se viu diante da escassez de intérpretes para gravar as inúmeras trilhas sonoras compostas.  Montou seu próprio cast com Djavan, Fafá de Belém, Ivan Lins, Cazuza, Fábio Jr., entre outros. Uma aposta da gravadora nessa época foram os Novos Baianos, recém-chegados ao Rio de Janeiro.


Elenco próprio

“Sempre fui a favor da contratação de artistas.” Guto Graça Mello, diretor de produção musical

O problema que se apresentou em seguida foi a escassez de intérpretes disponíveis no mercado. Quem era contratado, como era o caso do elenco da Philips, não tinha liberação para gravar. Os que sobravam eram artistas desconhecidos do público. Paralelamente, a produção de músicas era frenética, pois havia seis novelas por ano. “O problema é que a Som Livre tinha as músicas compostas, mas não tinha os intérpretes, porque todas as estrelas eram da Philips. E, naquele tempo, ninguém dava nem emprestava artistas para ninguém. Foi duro o começo da Som Livre, mas com a massa promocional e o canhão da  TV Globo, as trilhas foram um sucesso”, relembra Nelson Motta.

Vamos pro Mundo - Novos Baianos, 1974. O álbum foi relançado pela série Som Livre Masters em 2006. Som LivreApesar de polêmico, o investimento num elenco de artistas próprios da Som Livre foi a saída. Um dos primeiros a assinar o contrato foi um jovem recém-chegado de Alagoas, Djavan. “Lançamos muitos discos de artistas importantes, como Rita Lee, Jorge Ben Jor e Moraes Moreira”, conta Guto Graça Mello. Também foram assinados, pela gravadora, contratos com Fábio Jr., Cazuza, Fafá de Belém e Ivan Lins, entre outros.

Uma aposta da Som Livre foram os Novos Baianos. “Isso foi uma história completamente incrível. Foi Caetano quem nos aconselhou. Eles chegaram aqui sozinhos e duros, não tinham onde ficar. Foram lá para casa de madrugada e começavam a tirar um som, era uma música mais forte do que a outra”, conta João Araújo.