Com o crescimento da produção de novelas da Rede Globo, a Som Livre se viu diante da escassez de intérpretes para gravar as inúmeras trilhas sonoras compostas.  Montou seu próprio cast com Djavan, Fafá de Belém, Ivan Lins, Cazuza, Fábio Jr., entre outros. Uma aposta da gravadora nessa época foram os Novos Baianos, recém-chegados ao Rio de Janeiro.


Documento

O primeiro LP do selo Documento, lançado pela Som Livre em 1983, foi O Grande Circo Místico, trilha sonora do grupo de dança do Teatro Guaíra. Tinha músicas de Chico Buarque e Edu Lobo gravadas por diversos cantores, como Gal Costa, Milton Nascimento, Tim Maia, Simone, Zizi Possi e Jane Duboc. Entre os primeiros títulos do selo também estavam uma coletânea de poemas musicados de Fernando Pessoa e a antologia poética de Ferreira Gullar.

“Foi uma série vitoriosa.” João Araújo, ex-diretor-geral da Som Livre, sobre a série de grandes clássicos brasileiros

O resultado ficou aquém das expectativas, como conta João Araújo. “O Grande Circo Místico, trabalho feito pelo Edu Lobo e pelo Chico Buarque, era quase que impermeável, uma coisa muito fechada. Não dava para botar no mercado. Nós lançamos no mercado normal, mas era para lançar em um mercado alternativo, nas livrarias e pontos de venda.”

Com a baixa vendagem do disco, o selo foi interrompido, voltando apenas cinco anos mais tarde, com Pixinguinha e Cartola na linha de frente. Desta vez, em sistema de coprodução com outras empresas e com o apoio da Lei Sarney, de benefícios fiscais, foram lançados os álbuns Mestre Cartola – 80 anosPixinguinha Para Crianças, Música Sertaneja, Luz Negra – O Canto Negro das Américas  e Ataulfo Alves.

João Araújo comenta o sucesso do selo: “De repente surgiu uma série com cantores modernos cantando músicas dos antigos. Então, tinha o Paulo Ricardo, o Cazuza e a Gal cantando Cartola. Esse disco vendeu mais de 25 mil.”