A gravadora Som Livre foi criada em 1969 com o objetivo principal de pôr à disposição do público as trilhas sonoras das novelas e minisséries da Rede Globo, e ao mesmo tempo incentivar a música popular brasileira, abrindo portas para novos talentos e revitalizando o repertório de músicos tradicionais e consagrados.


Década de 1970

Trilha Sonora Original da Novela O Bofe, 1972. Som LivreAs primeiras trilhas foram produzidas no próprio edifício da Rede Globo, no bairro carioca do Jardim Botânico. O processo de elaboração das músicas se iniciava com o envio da sinopse da novela para análise de João Araújo ou Guto Graça Mello, diretor de produção musical da Rede Globo, que, em companhia de Nelson Motta e do autor da novela, estudava os personagens e escolhia os caminhos a serem percorridos pela trilha musical. Em seguida, era realizado um levantamento dos possíveis compositores a serem contratados. O material era analisado por Boni, e cerca de 40 músicas eram produzidas por um ou dois compositores para uma seleção final de 12 ou 14, que seriam usadas na gravação da trilha.

Desde o início, grandes nomes deram voz aos sentimentos dos personagens da dramaturgia da Globo: Roberto e Erasmo Carlos assinaram as músicas de O Bofe, novela de 1972. No ano seguinte, Baden Powell e Paulo César Pinheiro musicaram a novela de Janete Clair, O Semideus.

“Dr. Roberto sempre trabalhou com as pessoas dando autonomia e responsabilidade. Depois, ele cobrava.” João Araújo, produtor musical e ex-diretor-geral da Som Livre

Um dos maiores nomes a gravar uma trilha foi Vinicius de Moraes, como relembra João Araújo: “Vinicius nunca tinha cantado. Eu precisava que ele cantasse, porque estava fazendo um disco de bossa nova e não tinha gente no cast. Tinha uma música dele, Pelo Amor dos Olhos Teus, que era um recitativo, não requeria extensão de voz e aquilo só ficava bonito dito por ele. Levei duas ou três semanas para levar o Vinicius para dentro de um estúdio para fazê-lo gravar. Ele fez brilhantemente, foi uma razão do sucesso do disco.”