A TV Globo nasceu em um dos períodos mais dramáticos da história do Brasil. Três anos após ser inaugurada, foi decretado o Ato Institucional nº 5, em dezembro de 1968, quando o regime militar intensificou a vigilância sobre os meios de comunicação. A emissora de Roberto Marinho não escapou da censura, diretamente proporcional ao crescente aumento de sua audiência. 


Fim da censura

Em 29 de setembro de 1988, com o fim da censura oficial, Roberto Marinho enviou aos funcionários um memorando intitulado “Responsabilidade com sensibilidade” – também publicado pelo jornal O Globo – com orientações sobre a linha da programação da emissora. O tom era de moderação, recomendando a manutenção de uma linguagem coloquial sem expressões chulas, a eliminação das cenas de erotismo vulgar e de citações depreciativas ou maliciosas contra pessoas reais. 

Em 1989, quando a novela Tieta foi ao ar, Roberto Marinho recebeu algumas críticas e cartas de telespectadores com reações à sensualidade presente na abertura da novela. Às críticas, o jornalista respondeu fazendo elogios ao trabalho de Hans Donner, responsável pelas aberturas e vinhetas da emissora:

“É um trabalho notável de computador desse genial Hans Donner. É o corpo de uma mulher que se torce, se retorce e se fixa na obra-prima de uma escultura. Recebemos milhares de cartas de protestos, mas, francamente, estamos diante de uma questão nova. As obras de arte, inclusive os nus, estão hoje até no Vaticano. Mas, honestamente, são esculturas estáticas. O diabólico movimento, obtido com a cumplicidade dos computadores, mudará a questão?”