A estratégia de Roberto Marinho para consolidar a presença diária da Globo na vida de milhões de brasileiros foi lançada no finalzinho da década de 1960. Como pilares, a implantação da rede, o início da produção de novelas que retratavam o cotidiano dos telespectadores e a aposta em um novo modelo de telejornalismo, cuja estrela era o Jornal Nacional


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Nem só de jornalismo e novelas era feita a grade de programação da Globo nos anos 1960. Programas de auditório, musicais e humorísticos tinham lugar cativo na audiência.

Marcaram época, entre outros, a irreverência de Dercy Gonçalves nos programas Dercy Espetacular e Dercy de Verdade; o Casamento na TV, em que o apresentador Raul Longras promovia a união de casais; as gincanas, concursos e musicais do Programa Haroldo de Andrade; e os programas Discoteca do Chacrinha e Buzina do Chacrinha, apresentados por Abelardo Barbosa, o Chacrinha. Eram caracterizados por atrações musicais com artistas de sucesso no momento e por um show de calouros, avaliados por um júri formado por personalidades ilustres. Com seus programas, Chacrinha contribuiu para a popularização de vários novos cantores, incluindo representantes da Jovem Guarda e do Tropicalismo.

Na linha do humor, sobressaiu o programa Balança mas não cai, que reunia nomes como Chico Anysio, Jô Soares e Agildo Ribeiro. Um dos maiores sucessos da Rádio Nacional nos anos 1950, o programa, criado por Max Nunes e Haroldo Barbosa, era centrado na vida dos moradores de um edifício decadente, e trazia quadros como Fernandinho e Ofélia (protagonizado por Lúcio Mauro e Sônia Mamede) e Primo Pobre & Primo Rico. Este último mostrava, com muito humor, o abismo entre as realidades vividas pelos personagens de Brandão Filho e Paulo Gracindo.

A partir de 1967, a Globo passou a promover o Festival Internacional da Canção, um dos destaques da programação musical da emissora. Em suas seis edições, registrou grandes momentos. Um deles foi marcado pelos protestos ao regime militar: Sabiá, de Tom Jobim e Chico Buarque, foi eleita a melhor canção de 1968, debaixo de uma saraivada de vaias da plateia, que torcia pela música Para não Dizer que não Falei de Flores, notabilizada como hino contra a repressão política. A composição de Geraldo Vandré ficou em segundo lugar.