A TV Globo sofreu três incêndios em sua primeira década de existência. Um em sua antiga sede, em São Paulo, e os outros dois na sede do Rio de Janeiro. Apesar dos prejuízos, Roberto Marinho estava mais preocupado com a integridade de seus funcionários, que não pouparam esforços para salvar as fitas com a programação a ser exibida e manter a emissora no ar.


1969 – Fogo na Globo em São Paulo

O primeiro incêndio ocorreu no dia 13 de julho de 1969, nas instalações da TV Globo de São Paulo, então localizada na rua das Palmeiras, no bairro de Santa Cecília (região central da cidade). A destruição parcial da área fez com que parte da programação passasse a ser produzida no Rio de Janeiro, até a mudança para uma nova sede, na rua Marechal Deodoro, também no Centro da capital.

“Estávamos começando a ter uma programação com algum sucesso. No domingo, tínhamos o Silvio Santos em São Paulo e o Chacrinha no Rio. Mas havia uma grande discussão interna na Globo. Walter Clark achava que a programação deveria ser unificada, assim teria um custo menor. Já o Boni defendia que São Paulo tinha o gosto diferente do Rio, portanto deveria haver uma programação específica para cada cidade. O debate já durava uns seis meses, com discussões muito acaloradas. Eis que pega fogo em São Paulo. Acabou-se a discussão: a torre do Jaraguá virou o link para o Rio, e passou a haver uma única programação”, conta Roberto Irineu, acrescentando que alguns jornais locais passaram a ser produzidos em uma garagem de ônibus. “Alugamos uma garagem de ônibus, colocamos do lado de fora uma unidade móvel e, dentro da garagem, coberta com um tapume, fizemos um estúdio. Acho até que o Silvio Santos passou um tempo nessa garagem até que arrumassem outro lugar para produzir o programa dele”.

A novela de época A Cabana do Pai Tomás, que estreara na semana anterior – e para a qual haviam sido construídos dois estúdios – teve grande parte de seus cenários danificados, e passou a ser gravada no Rio de Janeiro. Havia apenas oito capítulos prontos quando a emissora pegou fogo. Os estúdios no Rio já estavam ocupados com outras novelas, e o diretor da trama, Fabio Sabag, teve de gravar cenas no terraço da emissora, sem a qualidade com que começara a rodar a trama. “Não tinha capítulo para o dia seguinte. Fomos para o Rio, mas não havia condição de gravar. Fui gravar no terraço, sem cenário: era uma tapadeirinha, uma porta e uma janela”.

Com a transferência de A Cabana do Pai Tomás para o Rio, a novela Véu de Noiva, substituta de Rosa Rebelde – ambas de Janete Clair – teve que ser cancelada, e a autora, obrigada a alongar a trama.