Roberto Marinho inaugurou a Globo em 26 de abril de 1965, quando tinha 60 anos de idade. Para realizar seu sonho, o jornalista enfrentou uma CPI e empenhou todos os seus bens. 


Um jornalista com faro de empresário

O filho de Irineu Marinho, fundador do jornal O Globo, era, acima de tudo, um jornalista. Tinha faro para o que era notícia, para o que mobilizaria a vida das pessoas.

Apesar da paixão pelo jornalismo, Roberto Marinho também era um homem de visão empresarial. O que fez com que a figura do jornalista fosse ofuscada pela de megaempresário das comunicações. Título devido, em grande parte, à Rede Globo de Televisão, a estrela de seu grupo de mídia. Com a Globo, Roberto Marinho se transformou em um dos homens mais importantes do Brasil.

“Dr. Roberto era um visionário”, atesta Carlos Henrique Schroder, diretor-geral da Rede Globo. “Lembro a primeira vez que encontrei com ele. Eu tinha acabado de assumir o Jornal Hoje, no final da década de 80, e ele me chamou para almoçar no décimo andar, onde tinha sala. Queria ouvir minhas opiniões, o que eu achava do que estava acontecendo no país, trocar ideias. Falava muito, e demonstrava uma visão absolutamente atualizada do que vinha acontecendo no Brasil e no mundo”. Durante o encontro, Schroder se recorda, o telefone não parava de tocar. Eram ligações de Brasília, de São Paulo, de ministros, governadores... Roberto Marinho era solícito, falava baixo, e do outro lado da linha, independente do cargo, estavam pessoas em busca de conselhos. Dr. Roberto, como é reverentemente chamado até hoje, era um bom ouvinte.

 “Dr. Roberto era uma pessoa extremamente afetiva, que soube colocar duas coisas no trabalho da TV Globo: emoção e amor.” (José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, Boni) 

“Dr. Roberto era, antes de tudo, um jornalista – de frequentar redação, de fechar jornal, de lidar com texto. Era também um homem de televisão, uma pessoa superousada, que, aos 60 anos, resolveu empenhar tudo para criar uma emissora como a TV Globo. Não é qualquer um que faz isso. Tive um contato muito pequeno com o Dr. Roberto, eu o vi pessoalmente uma dezena de vezes, e por poucos minutos, mas, por tudo que leio sobre ele, sua sabedoria foi saber formar equipes. Ele soube delegar e confiar. A decisão de contratar Walter Clark para ser o diretor-geral da Globo é um exemplo. Ele arriscou muito, e arriscou em coisas positivas”, diz Ali Kamel, diretor-geral de Jornalismo e Esporte da Globo.