No mesmo ano em que fundou a TV Globo, no Rio de Janeiro, o jornalista e empresário Roberto Marinho comprou a TV Paulista, canal 5, da Organização Victor Costa, que passaria, no ano seguinte, a se chamar TV Globo São Paulo. Esse foi o primeiro passo para a formação da futura Rede Globo.


Dificuldades

Fernando Bittencourt, ex-diretor de Engenharia da Globo, estava recém-formado quando foi indicado para montar a estrutura de engenharia do canal de Recife. Ele teve de fazer tudo, desde o projeto de construção do prédio, a torre de transmissão, até seleção, treinamento e contratação de pessoal. A emissora não tinha recursos, e quase todos os equipamentos foram levados do Rio. Novos mesmo só o transmissor e o telecine, onde se projetava o filme para ser colocado no ar. “Foi um trabalho absurdo botar para funcionar uma emissora de televisão com equipamentos velhos, principalmente porque a Globo já tinha um certo compromisso com o seu público”, conta.

Quase toda a programação era em videoteipe. As fitas eram enviadas por malote, e os programas entravam no ar com alguns dias de atraso. Não havia como transmitir simultaneamente os capítulos das novelas, por exemplo, porque as fitas não chegavam a tempo. Os programas eram exibidos no Rio, copiados e depois exibidos em São Paulo. Em seguida, as fitas seguiam viagem: a cada semana em uma cidade, até completar a rede nacional.

Produzidos localmente em Recife, só jornalismo e comerciais. E, ao vivo, o Jornal Nacional, transmitido a partir do Rio. “Nós rodávamos a programação inteirinha em um único VT. Se o equipamento pifasse, não tinha transmissão no ar. Ficamos nesta situação durante um ano e meio. Quando lembro, parece inacreditável. Tínhamos de ficar ao lado do equipamento 24 horas por dia, para detectar qualquer variação”, relembra Bittencourt.