Roberto Marinho começou a colecionar quadros na década de 1930. Não recorria a marchands. Era amigo de pintores e adquiria as peças diretamente em ateliês. Comprava por opção pessoal, com o coração. Frequentava vernissages, exposições e bienais, desenvolvendo o gosto refinado pela arte e pela cultura que o acompanhou a vida inteira.


Emoção pela obra

Em depoimento ao Memória Globo, o ex-assessor do jornalista, Arthur Peixoto, classificou o acervo de Roberto Marinho como uma autêntica coleção particular. “É uma coleção de pessoa que gostava de arte. Ele, e somente ele, comprava os quadros. Eu podia até negociar. Mas a escolha era exclusiva dele. Ele gostava de quadros.”

Arthur Peixoto lembrou que a coleção era muito bem conservada e guardada. Volumosa e com quadros imensos, era impossível expor todo o acervo, ao mesmo tempo, dentro da casa do Cosme Velho. “Não cabia. Então, ele variava. Colocava na casa do Alto da Boa Vista, depois pedia para trocar o quadro. Ele sabia os quadros que tinha. Todos eram catalogados, fotografados. Ele sabia quando comprou, de quem comprou. Sabia tudo, tudo, tudo. Tinha uma memória inacreditável.”

“Ele sabia quando comprou, de quem comprou. Sabia tudo, tudo, tudo. Tinha uma memória inacreditável.” (Arthur Peixoto, ex-assessor)

Um dos coordenadores da coleção na década de 1980, Max Perlingeiro contou ao Memória Globo que, a partir de 1985, novos espaços foram criados para guardar parte das obras de arte de Roberto Marinho. O último endereço foi a Rua Itapiru, onde funcionava a Rio Gráfica.

O atual responsável pelo acervo, Joel Coelho, lembra que as obras tinham um significado especial para o jornalista.  “A relação de Roberto Marinho com as artes era emotiva. Não importa se era a melhor ou a pior obra. A escolha não era pelo valor ou pelo nome do artista. Era pelo coração.” 

“A escolha não era pelo valor ou pelo nome do artista. Era pelo coração.” (Joel Coelho, coordenador da coleção)

A coleção Roberto Marinho passou a ser organizada por um conselho curador em 1983. Os especialistas dividiram o acervo de acordo com as categorias "Interiores", "Figuras e Paisagens" e "Abstração".  Mas sempre o que prevalecia na hora de comprar um quadro era o gosto do jornalista.