Roberto Marinho começou a colecionar quadros na década de 1930. Não recorria a marchands. Era amigo de pintores e adquiria as peças diretamente em ateliês. Comprava por opção pessoal, com o coração. Frequentava vernissages, exposições e bienais, desenvolvendo o gosto refinado pela arte e pela cultura que o acompanhou a vida inteira.


Entrevista com Roberto Marinho

Numa entrevista ao editor José Mário Pereira, Roberto Marinho falou da pinacoteca e revelou por quem gostaria de ser retratado. Veja alguns trechos.

JPM – Por qual pintor o senhor gostaria de ser retratado?

RM – Se fosse possível voltar no tempo, certamente por Agnolo Bronzino, um florentino nascido em 1503, e que foi um expoente da segunda geração do maneirismo toscano. A Galeria Uffizi possui vários quadros dele e todos magistrais. Gosto, em particular, do retrato de Cosimo de Medici com armadura. No Brasil, um grande retratista é Glauco Rodrigues.

JPM – Quando começou seu gosto pela pintura?

RM – Desde sempre. A pintura é uma paixão, assim como a música. Gosto da arte da Renascença, mas também admiro imensamente os modernos. Vejo muita criatividade na pintura brasileira de hoje. Fui amigo de Portinari, por anos a fio frequentei o seu ateliê, assistindo ao nascimento de muitas obras-primas.

O editor José Mário Pereira conta que Roberto Marinho reconhecia na primeira mulher e mãe de seus filhos, Stella Goulart, uma das responsáveis pela criação da sua pinacoteca. “Na época em que estavam casados, frequentaram muito o ateliê de Portinari e ficaram amigos de Guignard. Um dia, em São Paulo, jantando na casa de uma família rica, ficou maravilhado com um quadro de Lasar Segall. Trinta anos depois um marchand veio oferecer-lhe a obra. Comprou na hora.”

Em outra ocasião, continua o editor, Roberto Marinho viu um Portinari na casa de um empresário e ficou fascinado: “No carro foi logo comentando com quem o acompanhava: ‘Que beleza! Será que ele me venderia?’."