Roberto Marinho começou a colecionar quadros na década de 1930. Não recorria a marchands. Era amigo de pintores e adquiria as peças diretamente em ateliês. Comprava por opção pessoal, com o coração. Frequentava vernissages, exposições e bienais, desenvolvendo o gosto refinado pela arte e pela cultura que o acompanhou a vida inteira.


Escolha com o coração

Roberto Marinho não comprava obra de arte como investimento. Em entrevista ao Memória Globo, os coordenadores da coleção em diferentes momentos, Max Perlingeiro e Joel Coelho, contaram que, muitas vezes, ofereciam ao jornalista obras valiosas, mas se ele não gostasse, não comprava. O que o movia era a admiração pela peça. A maneira como ele se identificava com a produção artística. “Se a obra tocava o seu coração, ele não media esforços para comprá-la”.

Joel Coelho recorda que Roberto Marinho também não comprava obra por modismo. Existem poucas peças de arte contemporânea na coleção. De maneira geral, ele preferia os modernistas, como Guignard, Di Cavalcanti, Pancetti, Portinari entre outros. Curador da exposição O Século de um Brasileiro, inaugurada no Paço Imperial em 2004, Lauro Cavalcanti destaca o encantamento de Roberto Marinho por sua coleção: “Um colecionador particular é movido pela paixão. Pela arte e pela identificação com trabalhos que traduzam afetos, lembranças, experiências e visões de mundo. O colecionador passa a 'falar' através das obras que reuniu.”

O filho João Roberto reforça essa postura do pai em relação ao acervo artístico: “É uma coleção das obras que ele gostava. A lógica de compra era o prazer visual.”