Roberto Marinho começou a colecionar quadros na década de 1930. Não recorria a marchands. Era amigo de pintores e adquiria as peças diretamente em ateliês. Comprava por opção pessoal, com o coração. Frequentava vernissages, exposições e bienais, desenvolvendo o gosto refinado pela arte e pela cultura que o acompanhou a vida inteira.


Obras de presente

Os coordenadores da coleção, Joel Coelho e Max Perlingeiro, contam que Roberto Marinho também gostava de colecionar as obras que recebia de presente. “Ele sempre deu muito valor às obras que ganhou, não gostava de se desfazer de nenhuma, mesmo que o quadro não fosse do seu agrado ou não tivesse valor”, diz Joel Coelho.

A equipe chegou a sugerir um leilão beneficente com essas peças. Roberto Marinho perguntou: “Nós estamos com problema de espaço?” Ao esclarecer que era apenas uma forma de selecionar e manter na coleção os melhores quadros,  os coordenadores ouviram do jornalista que ele não queria só os melhores, mas todos que ganhava. “Ele dizia que seria uma falta de educação negociar, vender ou dar para alguém”, comenta Joel Coelho.

Como era sempre a escolha pessoal que prevalecia, a mulher, Lily Marinho, respeitava as opções do marido. Conhecedora dessa característica, ela pouco interferia nas obras que deveriam ficar nas paredes de casa. Joel lembra que “Dona Lily gostava de presentear o Dr. Roberto com peças artísticas, com obras que ela sabia que ele gostava. Quadros de Di Cavalcanti, Iberê Camargo e Ismael Nery foram presentes dela. Ela respeitava muito o gosto dele.”

Em maio de 1980, Roberto Marinho ganhou do pintor e desenhista Walter Lewi, um dos pioneiros do surrealismo na arte brasileira, um quadro pintado especialmente para ele e que tinha como um dos elementos o logotipo da TV Globo.