Roberto Marinho começou a colecionar quadros na década de 1930. Não recorria a marchands. Era amigo de pintores e adquiria as peças diretamente em ateliês. Comprava por opção pessoal, com o coração. Frequentava vernissages, exposições e bienais, desenvolvendo o gosto refinado pela arte e pela cultura que o acompanhou a vida inteira.


Portinari

Roberto Marinho se tornou amigo de Candido Portinari e passou a frequentar o ateliê dele. Dizia que tinha visto nascer ali muitas obras-primas. A coleção inclui peças como Floresta e Santa Cecília, que estão entre os quadros preferidos do jornalista e empresário. Santa Cecília, uma hierática cena religiosa, ficava na sala principal da casa do Cosme Velho. Roberto Marinho gostava de contemplar a tela e sabia tudo sobre ela.

PORTINARI, Candido, Floresta (Coelhinho), 1942. Pedro Oswaldo Cruz/Coleção Roberto Marinho Joel Coelho, responsável pelas obras de arte, também recorda que, certa vez, a coordenadora da coleção retirou o quadro Floresta do Cosme Velho e substituiu por outro. Roberto Marinho perguntou pela tela. Ao explicar que o quadro tinha sido trocado por um de maior valor artístico, ele foi categórico: “Eu gosto dele. Deixe-o aqui.” Era o jornalista quem decidia quais quadros deveriam ser pendurados. Qualquer tentativa de curadoria externa para a escolha dessas peças era mal-sucedida.

Joel revela, ainda, uma história curiosa sobre o quadro Floresta. Na inauguração da exposição da coleção Roberto Marinho, em 1995, em Brasília, o então presidente  Fernando Henrique Cardoso parou em frente ao quadro do "coelhinho" e disse:  “Esse é um dos quadros que eu mais gosto do Portinari.” Roberto Marinho ficou satisfeito.