Roberto Marinho tinha sensibilidade para as artes plásticas, mas também foi um apreciador de música, teatro, cinema e literatura. Desenvolveu um gosto apurado pela cultura que o acompanhou por toda a vida. Abriu a casa do Cosme Velho para apresentações artísticas. Criou uma farta biblioteca e fez parte da Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil. A consagração veio em 1993, quando se tornou “imortal” da Academia Brasileira de Letras.


ABL

A preparação para a posse começou com todo o cuidado na casa do Cosme Velho. Pelas mãos da mulher, Lily, Roberto Marinho recebeu o chapéu de acadêmico diante de um dos quadros que ele mais admirava, o Santa Cecília, de Portinari.

O jornalista foi eleito para a Academia Brasileira de Letras em 22 outubro de 1993, com 34 votos. Ele foi o sétimo ocupante da cadeira de número 39, na vaga do escritor e jornalista Otto Lara Resende, ex-colaborador no jornal O Globo e na TV Globo.

Ele considerou uma consagração estar no meio dos intelectuais. Foi uma honra para ele.”  (João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo)

No início, a proposta de entrar para a ABL não agradou ao empresário. Em entrevista ao editor José Mário Pereira, Roberto Marinho comentou: “Tenho muitos amigos na Academia, a começar pelo Austregésilo, amigo da vida inteira. É comum jornalistas pertencerem à Academia: Elmano Cardim, Assis Chateaubriand e muitos outros foram membros da casa de Machado de Assis. Atualmente, temos lá o Carlos Castello Branco, um exemplo de profissional competente e dedicado. Sei da glória que é pertencer à Academia, mas reconheço que muita gente merece estar lá antes de mim.”

Austregésilo de Athayde e Roberto Marinho em jantar no Cosme Velho, no dia da eleição do jornalista para a Academia Brasileira de Letras, 22/07/1993. Leonardo Aversa/Agência O GloboConcorreram com o jornalista os escritores Sylvio de Macedo, Jeff Thomas, Edméa Carvalho, Raimundo Santa Helena, Gilson de Freitas, Diógenes Magalhães e Bonaparte Maia. O anúncio da eleição foi feito na casa do Cosme Velho pelo então presidente da ABL, Austregésilo de Athayde, que morreria antes da posse do novo imortal.

Sobre Austregésilo, Roberto Marinho comentou: “O tempo da minha amizade e de minha admiração por Austregésilo de Athayde não se conta em anos, mas em décadas. Já a profundidade desses sentimentos não dá pra medir. Não poderia ser diferente, sendo eu um homem que dedicou a vida ao universo da informação e ele, também jornalista, um infatigável militante – talvez fosse melhor dizer um guerrilheiro – da cultura e da ação intelectual.”