Roberto Marinho tinha sensibilidade para as artes plásticas, mas também foi um apreciador de música, teatro, cinema e literatura. Desenvolveu um gosto apurado pela cultura que o acompanhou por toda a vida. Abriu a casa do Cosme Velho para apresentações artísticas. Criou uma farta biblioteca e fez parte da Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil. A consagração veio em 1993, quando se tornou “imortal” da Academia Brasileira de Letras.


Entrevista com Roberto Marinho

Numa entrevista ao editor José Mário Pereira publicada no jornal O Globo, Roberto Marinho falou de suas preferências literárias.

JPM — Da literatura internacional, que autores cultua?

RM— A minha geração foi educada sob o signo da literatura francesa: Balzac, Anatole France, Flaubert. O desenvolvimento da imprensa está muito bem descrito e documentado em Balzac, autor que li e muito admiro. Um romance que me marcou muito foi As Aventuras do Sr. Pickwick, de Dickens. Sempre que me falam dele, fico emocionado.

JMP — Que autores lê hoje?

RM — Os autores da vida inteira: Eça de Queiroz, Machado de Assis, Dante, Tolstoi. E Shakespeare, que é um mundo. Gosto muito do discurso de Marco Antônio, no Júlio César. Carlos Lacerda, que traduziu a peça, o declamava maravilhosamente.

JMP — E Proust? Uma vez o senhor me falou nele.

RM — Também. Você conhece a descrição que ele faz do quadro A Vista de Delft, de Vermeer? Acho-a impressionante.

JMP — Recorda o que se diz dos jornais em Du Côté de Chez Swann?

RM — É claro que sim. Mas, infelizmente, não posso concordar com Proust nesse ponto. No início do livro, diz Swann: “O que censuro aos jornais é fazer-nos prestar atenção todos os dias a coisas insignificantes, ao passo que lemos três ou quatro vezes na vida os livros em que há coisas essenciais”. Esse pouco apreço aos jornais talvez tenha sido motivado pelo desdém que muitos órgãos de imprensa da época tiveram para com sua obra, o que só mudou depois que lhe foi concedido o Prêmio Goncourt.