Roberto Marinho tinha sensibilidade para as artes plásticas, mas também foi um apreciador de música, teatro, cinema e literatura. Desenvolveu um gosto apurado pela cultura que o acompanhou por toda a vida. Abriu a casa do Cosme Velho para apresentações artísticas. Criou uma farta biblioteca e fez parte da Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil. A consagração veio em 1993, quando se tornou “imortal” da Academia Brasileira de Letras.


Literatura

Roberto Marinho falava muito bem o francês. Dizia que a geração dele tinha sido influenciada pela literatura francesa.  Mas um romance  que marcou a vida do jornalista veio da Inglaterra: As Aventuras do Sr. Pickwick, de Charles Dickens. Escrito com humor e ironia, em 1836, o primeiro romance de Dickens fazia uma crítica à sociedade inglesa da época. Roberto Marinho dizia que o livro o emocionava porque remetia à lembrança do pai, Irineu Marinho. Em entrevista ao editor José Mário Pereira, Roberto Marinho comentou: “Quando meu pai ficou na Legação Argentina, viveu dias de grande angústia pessoal. Um amigo lhe levou o livro. Eu, que o visitava diariamente, o vi, muitas vezes, às gargalhadas com as peripécias do romance. Este livro mudou o seu humor e, desde então, sempre que me falam dele, recordo meu pai e a alegria que As Aventuras do Sr. Pickwick lhe trouxe num momento difícil de sua vida.”

“A literatura é o retrato de um povo, de uma nação.” (Roberto Marinho)

Além de autores da literatura francesa e do inglês Charles Dickens, Roberto Marinho gostava de Machado de Assis e Eça de Queiroz. Ao se referir à obra do “bruxo do Cosme Velho”, o jornalista disse: “Tanto o romancista quando o cronista, Machado de Assis é exemplar e documentou muito bem a história do Brasil.”

Dos escritores que passaram pelo jornal O Globo, Roberto Marinho tinha excelentes impressões do Barão de Itararé, “que descobri e apresentei a meu pai.”  Lembrava com saudades de José Guilherme Merquior, “um homem de gênio que, infelizmente, nos deixou tão cedo”, e de Augusto Frederico Schmidt, amigo da vida inteira, de quem lembrava o poema:

O amor é paz.
O amor é a quietação.
O amor é o fim de todas as angústias.
O amor é a tarde fresca quando nem as árvores oscilam
Porque o vento acabou, e a luz não arde.

"Não é uma beleza? O Schmidt é um camarada que me dá muita saudade.”