Roberto Marinho tinha sensibilidade para as artes plásticas, mas também foi um apreciador de música, teatro, cinema e literatura. Desenvolveu um gosto apurado pela cultura que o acompanhou por toda a vida. Abriu a casa do Cosme Velho para apresentações artísticas. Criou uma farta biblioteca e fez parte da Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil. A consagração veio em 1993, quando se tornou “imortal” da Academia Brasileira de Letras.


Música

Carmem era a ópera preferida e, a voz de Caruso, o despertar para o canto lírico que o encantava. “Quando ouvi Caruso pela primeira vez, naqueles velhos discos, fiquei fascinado com a potência e o maravilhoso timbre de sua voz. E passava horas e horas, na companhia da minha avó, ouvindo não só trechos de óperas, mas também as belas canções napolitanas.”

Roberto Marinho e Stella Goulart Marinho no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, década de 1950. Arquivo/Memória GloboEm entrevista ao jornal O Globo, em 1992, Roberto Marinho contou que uma das recordações marcantes da infância era ouvir Enrico Caruso cantando Cuore Ingrato e Canta pe' me. Ele recordou também da época em que acompanhava as temporadas líricas no Municipal: “Várias vezes, seguia em frente com a companhia do empresário Walter Bloch, que, depois de se apresentar aqui, rumava para o Cólon de Buenos Aires”. Roberto Marinho costumava dizer também que a paixão pelas árias mais famosas das óperas de Verdi, Rossini e Pucini aconteceu depois de ouvir Caruso.

“Uma das recordações mais caras do meu tempo de menino foi a forte impressão que me causou ouvir Enrico Caruso cantando ‘Cuore Ingrato’ e ‘Canta pe' me’." (Roberto Marinho)


A descoberta da ópera aconteceu por influência da avó materna, Cristina. O jornalista passou a assistir aos espetáculos do Teatro Lírico, como conta no livro Roberto Marinho, de Pedro Bial. “Ia com tanta frequência ao Teatro Lírico, onde se apresentavam as companhias italianas, que cheguei a me tornar amigo de vários integrantes do elenco, dos cantores e, especialmente, das cantoras.”

O jornalista também admirava os eruditos e tinha o hábito de ouvir música clássica pela manhã. Apreciava os românticos. Em especial, Mascagni, Verdi, Rossini, Pucini e Chopin, que gostava de ouvir em casa nas interpretações dos pianistas Alfred Cortot e Claudio Arrau.