Roberto Marinho tinha sensibilidade para as artes plásticas, mas também foi um apreciador de música, teatro, cinema e literatura. Desenvolveu um gosto apurado pela cultura que o acompanhou por toda a vida. Abriu a casa do Cosme Velho para apresentações artísticas. Criou uma farta biblioteca e fez parte da Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil. A consagração veio em 1993, quando se tornou “imortal” da Academia Brasileira de Letras.


Os cem bibliófilos

Roberto Marinho não foi só um colecionador de livros e quadros, mas também um consumidor dos chamados livros de arte. São livros de literatura ilustrados por artistas plásticos e produzidos com técnicas e matérias-primas especiais que os distinguem de um livro comum. Por conta da tiragem limitada, os livros de arte são considerados obras raras.

Raymundo Castro Maya, amigo de Roberto Marinho, foi muito importante para a produção de livros de arte no Brasil. Foi dele a ideia de formar a Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil, dedicada à publicação de importantes obras da literatura brasileira ilustradas por artistas consagrados. A associação, que muito se aproximava dos clubes de colecionadores de livros da Europa e dos Estados Unidos, foi fundada em 1943, com as seguintes premissas definidas em estatuto:

“Artigo I: A Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil é uma sociedade de bibliófilos e de caráter estritamente cultural, com sede na cidade do Rio de Janeiro, tendo como finalidade publicar obras primas de autores brasileiros, ou livros sobre o Brasil, em tiragens limitadas impressas em papel de luxo e ilustradas.”

“Artigo II: Sempre que possível a Sociedade editará um livro por ano em tiragem limitada de 120 exemplares, 100 dos quais numerados e contendo os nomes dos sócios a quem pertencem.”

Os outros exemplares eram doados para órgãos e bibliotecas públicas, incluindo um exemplar para a Biblioteca Nacional de Lisboa, Portugal, e um exemplar para a Biblioteca Nacional de Paris, França.

Roberto Marinho era o sócio de número 74 dos Cem Bibliófilos. Em sua biblioteca, podemos encontrar os 23 exemplares publicados pela sociedade. Além de Raymundo Castro Maya e Roberto Marinho, a sociedade contava também com Dom Pedro de Orleans e Bragança, Afrânio Peixoto, Cypriano Amoroso Costa, Max Fischer, Ricardo Xavier da Silveira, Plínio Doyle, Lineu de Paula Machado, Alberto Lee, Walter Moreira Salles, Carlos Lacerda, os irmãos Midlin, Themistocles Marcondes Ferreira, entre outros.

Machado por Portinari

Em 18 de julho de 1944, os sócios se reuniram para o lançamento da primeira obra: Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, ilustrada por Candido Portinari.

Durante os anos de 1956 e 1958, Roberto Marinho foi também da Comissão Executiva da Sociedade dos Cem Bibliófilos.

Em cada lançamento de um livro publicado pela sociedade, era feito um leilão das obras originais que deram origem às ilustrações dos livros. Roberto Marinho adquiriu as obras originais de seis livros.

Depois da morte de Raymundo Castro Maya, em 1968, a sociedade publicou somente um volume, O Compadre de Ogum, de Jorge Amado, com ilustrações de Mário Cravo. Depois disso, a Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil se dissolveu.

Além dessas publicações, Roberto Marinho possuía outros importantes livros de arte, como Canto da Noite, de Frederico Schmidt, ilustrado por Santa Rosa e editado pela Alvorada Edições de Arte em 1945.