Roberto Marinho tinha um fôlego excepcional. Mergulhou quase até os 84 anos e considerava o esporte uma espécie de terapia. Uma meditação em movimento. No mar, ele dizia que pensava melhor, e que as soluções para os problemas vinham na cabeça com mais clareza.


Fominha

“Eu era o rei das anchovas e dos pampos. O pessoal do barco me via subir e descer nas pedras, no meio do espumeiro, e ficava em pânico.” (Roberto Marinho) 

Roberto Marinho era o típico “fominha”, confidenciou o secretário particular Victório Berredo em entrevista ao empresário Antônio Carlos de Almeida Braga. “Era o primeiro a cair na água e só saía ao escurecer. Muita gente me perguntava se o 'velhinho' ainda não se afogara. Em resposta, eu convidava o curioso para uma descida juntos”. O empresário lembra que Roberto Marinho não sentia frio no fundo do mar por causa da roupa de borracha feita de pneu. “Isso compensava a diferença de idade, às vezes de mais de 20 anos em relação a outros mergulhadores”.

Roberto Marinho com a 1ª roupa de borracha para mergulho do Brasil, fabricada na Casa da Borracha, em 1958. Memória Globo

Nada que viesse do mar provocava medo nele. O jornalista estava sempre empenhado em superar os limites. Dos outros. Roberto Irineu conta como o pai encarou um cardume... de tubarões!

“Eu não tinha coragem de acompanhá-lo, ele era muito doido. Nós estávamos em Arraial do Cabo, e ele viu um cardume de tubarões devorando um peixe-lua. Qualquer sujeito normal diria: 'Olha que bonito, vou pegar uma máquina fotográfica e tirar uma foto.' Ele botou a máscara, pegou a arma e mergulhou para pescar tubarão”.

Outra história de tubarão contada por Roberto Irineu:

“Ele mergulhou e deitou-se numa pedra. Eu mergulhei também. Nisso, eu vejo um tubarão-baleia indo na direção dele. O que ele fez? Em vez de ficar quietinho e deixar o tubarão passar, deu um tiro. Eu subi, nadei até o caiaque, remei até o barco e fiquei esperando por ele. Ele voltou, dizendo: 'Pois é, nem fez cosquinha no tubarão! Bateu e caiu'."