Nem tombo nem acidente grave. Nada afastava Roberto Marinho de Miss Globo,  Laborioso, Sagitarius. A paixão pelos cavalos começou na infância. Adulto, treinou na hípica. Dizia que o contato com os animais fazia desaparecer os problemas. Com quase 80 anos, parou de saltar obstáculos. Não por vontade própria. Mas a pedido da família.


Caiu do cavalo

O gosto pelo desafio e o desejo de obter vitórias foram marcantes na vida esportiva de Roberto Marinho. Usando calça de montaria elástica e botas com 5 cm de salto,  conquistou o primeiro lugar quase cem vezes em disputas nacionais e internacionais. Foi líder entre militares e civis, segundo o sistema de contagem de pontos. Esse lado competitivo também o levou a sofrer quedas e acidentes. Em 1949, apostou com o irmão Rogério que concluiria uma prova de hipismo. Chegou até o fim desmaiado em cima do cavalo. A cunhada, Elizabeth Marinho, relembrou a história. “Ele caiu, quebrou o braço e montou de novo. Quando acabou o circuito, ele desmaiou. Caiu do cavalo porque estava com o braço quebrado. Mas não perdeu a aposta”. Rogério Marinho em prova de hipismo, na década de 1950. Memória Globo

Em 1974, outro tombo e três costelas fraturadas. Recuperado em menos de quatro meses, voltou a concorrer e ganhou a competição na Federação Hípica Brasileira. O cavalariço José Francisco Alves Nascimento, o Tamborete, lembra que, com quase 70 anos, o jornalista ainda era ousado e destemido. “Ele não gostava de pular baixo. Gostava de altura. Nunca me esqueço com o Tupã. Com vários concorrentes... com 69 anos, rapaz! Contra os garotos! Mas ele só tinha cavalo bom, né?”

Aos 72 anos, foi o concorrente mais velho do VI Torneio Pão de Açúcar de hipismo, realizado na Sociedade Hípica Paulista. Montando Apolo, Bengali e Sagitarius, participou de seis séries de saltos. Em abril de 1977, disputou o I Concurso Hípico Internacional de Brasília, patrocinado pela Rede Globo e pelo jornal O Globo.

Roberto Marinho voltou a se acidentar em 1978, aos 73 anos, quando disputou em Brasília a prova de hipismo "5 em Tríplices". Apesar de ter atingido a marca de 1,70 m, não obteve sucesso nos obstáculos de 1,90 m. O jornalista caiu com o cavalo Laborioso na pista que levava seu nome. O cavalo pisou em cima dele com a pata traseira. O resultado foram oito costelas fraturadas e o pulmão direito perfurado.

Roberto Marinho recebe troféu pela vitória na prova Cinco Tríplices disputada no Centro Hípico do Exército, em 06 de julho de 1980. Chico Jorge / Agência O Globo

Em abril de 1979, o então presidente João Batista Figueiredo assistiu às provas do III Concurso Hípico Internacional, que ocorreu em Brasília. Roberto Marinho participou da prova de salto a obstáculos montando o cavalo Sagitarius. Um ano depois, foi premiado na Sociedade Hípica Brasileira pela vitória na prova "Cinco Tríplices-General Mário Vital Guadalupe Montezuma", disputada no Centro Hípico do Exército. Roberto Marinho saiu vitorioso da prova montando o cavalo Laborioso. 

“Uma garra impressionante. Ele acreditava sempre que era capaz. Nunca vi nada igual.” (João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo) 

Depois de fraturar outras costelas, ter o pulmão direito perfurado e o perônio fissurado, sua família tomou uma decisão. E, aos 75 anos, Roberto Marinho parou de saltar. Guardou como lembrança a última prova com Sagitarius, o cavalo que ele mais gostava.