Nem tombo nem acidente grave. Nada afastava Roberto Marinho de Miss Globo,  Laborioso, Sagitarius. A paixão pelos cavalos começou na infância. Adulto, treinou na hípica. Dizia que o contato com os animais fazia desaparecer os problemas. Com quase 80 anos, parou de saltar obstáculos. Não por vontade própria. Mas a pedido da família.


Salto de obstáculo

Roberto Marinho tinha oito anos quando saiu pelas ruas do bairro onde morava, a Tijuca, no Rio de Janeiro, em cima de um burrico. À mãe, Dona Chica, coube negociar o passeio do filho com o dono do animal, um comerciante português que, em troca, vendia para ela todas as galinhas da quitanda.

“Com mais algumas galinhas na panela, eu já galopava o pacato e versátil animal.” (Roberto Marinho)

Do burro ao primeiro cavalo passaram-se pouco mais de dez anos. Durante umas férias de verão, em Corrêas, região serrana, o jovem Marinho ganhou um presentão do Barão de Teffé, amigo do pai: o Royal. A irmã Hilda conta que ele ficou tão apegado ao animal que levou o cavalo para a casa da avó. Royal entrou pela sala de visitas da família montado pelo novo dono, ao som de uma ópera.

Roberto Marinho salta obstáculo em prova de hipismo, em 1939. Agência O GloboTempos depois, aos 35 anos, o hábito de cavalgar tornou-se mais técnico quando Roberto Marinho entrou para a hípica. Ele participou de treinos e conquistou o primeiro campeonato em julho de 1940, na prova Icaraí, do Clube Hípico Fluminense, com o cavalo Arisco. Colheu vitórias nos cinco anos seguintes e bateu o recorde brasileiro em salto em altura com o cavalo Joá, aos 41 anos.  

Foi no hipismo também que Roberto Marinho encontrou a primeira mulher, Stella Goulart, em 1946. O casal se conheceu quando a jovem Stella teve o cavalo Jujuba sacrificado por causa de um acidente e recebeu a solidariedade do futuro marido.

“Tudo que era obstáculo parece que fortalecia mais a vontade de vencer. Dr. Roberto não fazia corrida de cavalo. Fazia salto. Ele saltava os obstáculos na hípica e na vida.” (Lygia de Souza Mello, secretária de Roberto Marinho)

Nem sempre obstáculo significava dificuldade na vida de Roberto Marinho. Elizabeth Marinho, casada com o irmão Rogério, lembra que certa vez houve um concurso de hipismo promovido pelos dois irmãos, no Rio. Amigos vieram de São Paulo, cheios de malas, e todos se preparavam para uma grande festa. Mas nessa época, Roberto e Rogério eram um tanto despojados, conta Elizabeth. “Eles tinham comprado um macacão num posto de gasolina e só andavam com esse tipo de roupa. O pessoal de São Paulo ficou tão constrangido que nem desarrumou as malas. E foi assim: o Roberto e o Rogério saltando os obstáculos, de macacão, na presença dos paulistas!”