Roberto Pisani Marinho nasceu no dia 3 de dezembro de 1904. Foi o primeiro dos cinco filhos do jornalista Irineu Marinho Coelho de Barros e da dona de casa Francisca Pisani Barros Marinho, chamada por todos de D. Chica. Tinha uma admiração incondicional pelo pai, de quem seguiu a profissão de jornalista. Da mãe italiana, herdou o faro e o impulso nos negócios. Pai, avô, bisavô, foi uma referência para os filhos, hoje dirigentes das Organizações Globo que levam adiante o legado deixado pelo empresário. 


Escolha de dona Chica

“Dona Chica era impecável no modelo de mamma italiana. Ela tratava o papai como o filho querido.” (Roberto Irineu Marinho)

Após a morte do marido, D. Chica queria que o primogênito assumisse a direção de O Globo. Roberto Irineu ressalta: “Filho mais velho que assume os negócios é uma cultura enraizada na Itália. Dona Chica era impecável no seu modelo de mamma italiana. Papai tinha uma relação muito boa com ela. E ela tratava o papai como o filho querido. Ela o protegia e passou o trabalho para ele.“

Mas apesar da preferência da mãe, Roberto Marinho recusou a chefia da redação de O Globo. O episódio foi contado pelo empresário e jornalista, durante conversa com os filhos João Roberto e José Roberto.

João Roberto – Seu pai morreu, e vovó Chica, sua mãe, tomou a atitude de dizer que você seria o comandante do jornal. Você não aceitou. Deixou Eurycles de Mattos como diretor por um tempo.

Roberto Marinho – Eu fazia questão disso.

José Roberto – Foi isso mesmo? Como foi?

João Roberto – A vovó Chica queria que fosse você o comandante?

Roberto Marinho – É. Mais até do que os meus desejos. 

Somente em maio de 1931, após a morte de Eurycles de Mattos, Roberto Marinho assumiu o cargo de redator-chefe de O Globo. O jovem diretor tinha 27 anos.