Roberto Pisani Marinho nasceu no dia 3 de dezembro de 1904. Foi o primeiro dos cinco filhos do jornalista Irineu Marinho Coelho de Barros e da dona de casa Francisca Pisani Barros Marinho, chamada por todos de D. Chica. Tinha uma admiração incondicional pelo pai, de quem seguiu a profissão de jornalista. Da mãe italiana, herdou o faro e o impulso nos negócios. Pai, avô, bisavô, foi uma referência para os filhos, hoje dirigentes das Organizações Globo que levam adiante o legado deixado pelo empresário. 


Irineu Marinho

Irineu Marinho, fundador do jornal O Globo, sem data. Arquivo/Acervo Roberto Marinho

Irineu Marinho nasceu em 19 de junho de 1876, em Niterói, Rio de Janeiro, filho de João Marinho Coelho Barros e Edwiges de Souza Barros. Seu pai era natural de Celorico de Bastos, pequena vila do Distrito de Braga, em Portugal. Nascido em 1828, João Marinho deixou a terra natal aos 13 anos para fazer a vida no Brasil. Estabeleceu-se na cidade de Resende, onde morava um tio, e se casou com Edwiges Souza Barros, sua prima de segundo grau. Trabalhou desde cedo como guarda-livros, espécie de contador ou administrador de bens daquele tempo. Em 1958, após naturalizar-se cidadão brasileiro, passou a exercer cargos públicos e, já gozando de algum prestígio social, recebeu a patente de alferes da Guarda Nacional. Entre outras distinções, exerceu o cargo de mordomo da Santa Casa de Misericórdia de Resende e recebeu o grau de grão-cavalheiro da maçonaria. Após reveses financeiros, no entanto, mudou-se para o Rio de Janeiro. Dois anos depois, em 1876, com a família já estabelecida em Niterói, nasceu Irineu Marinho, o filho caçula do casal.

NA CAPITAL

O jornalista Manoel de Oliveira Rocha, o Rochinha. Arquivo/Acervo Roberto MarinhoAinda na época da escola, Irineu Marinho trabalhou como suplente de revisão do jornal Diário de Notícias, então dirigido por Antônio Azeredo. Em 1893, por sugestão do amigo Antônio Leal da Costa, fez um concurso e foi selecionado para revisor da Gazeta de Notícias, um dos matutinos mais importantes da então capital federal. Além do trabalho como revisor, realizou reportagem sobre os primeiros acontecimentos da Revolta da Armada. No ano seguinte, aceitou o convite para trabalhar em A Notícia, vespertino de Manoel de Oliveira Rocha. Conhecido como Rochinha, o jornalista, que foi um dos grandes mestres de Irineu Marinho. Nesse jornal também desempenhava a função de revisor. Sua vontade, no entanto, era ser repórter. Assim, saiu de A Notícia e foi para A Tribuna, jornal de Antônio Azeredo, dirigido por Alcindo Guanabara. No jornal, trabalhavam seus amigos Antônio Leal da Costa e Eurycles de Mattos, futuros gerente e diretor de redação de O Globo. Na A Tribuna, Irineu Marinho trabalhou como repórter de polícia e revisor.