“Não sei se sou consequência das minhas qualidades ou dos meus defeitos. As minhas qualidades são conhecidas por poucas pessoas que convivem comigo. E os meus defeitos são apontados por muitas pessoas que me desconhecem. Eu não sei se devo preferir o conceito das pessoas que me desconhecem ou daquelas que convivem comigo. De modo que eu deixo essa questão com a admirável plateia que me escuta.” (Roberto Marinho, em discurso na Universidade Sorbonne, em Paris, França)  


Homem da notícia

“Sou um jornalista, um homem de redação de jornal. Sou também um empresário e, como tal, sou um trabalhador, alguém que dedicou toda a vida ao trabalho diário, com o máximo das energias e a obsessão de construir.” (Roberto Marinho)

Evandro Carlos de Andrade, ex-diretor de Jornalismo das maiores empresas, O Globo e TV Globo, era enfático quando se referia à profissão de Roberto Marinho: “Dr. Roberto era um homem da notícia. Ele era um jornalista voltado para a cobertura dos fatos. Ele nunca foi afeiçoado à especulação política. Isso não lhe agradava. Ele era jornalista, um homem de redação. Tinha uma percepção incrível de qualidade de jornal.”

“Roberto Marinho era um jornalista, um homem de redação.” (Evandro Carlos de Andrade)

O cartunista Chico Caruso refere-se a Roberto Marinho como um apaixonado pelo jornalismo. “Ele tinha paixão por jornal. Eu me lembro dele, folheando O Globo, em cima da mesa, com os olhos brilhando e dizendo: ‘Você sabe o que é alguém gostar de alguma coisa? Eu gosto disso aqui.’"

Roberto Marinho em O Globo, sem data. Arquivo/Memória Globo.


Ali Kamel, diretor-geral de Jornalismo e Esporte da Globo, também reconhecia em Roberto Marinho mais características de jornalista que de empresário. Ele cita a impressão que teve na época em que trabalhou em O Globo: “ A primeira coisa que percebi no Globo era que eu estava numa casa de jornalistas. E qual a imagem que a gente tinha do Dr. Roberto? Do megaempresário da comunicação?  De fato, ele era um jornalista.”

João Roberto concorda: “O que ele gostava mesmo de fazer era jornalismo, aquela busca incessante por ter o melhor produto para o seu leitor, o seu telespectador." Para o filho, o que prevalecia na identidade de Roberto Marinho, seja como jornalista ou como empresário, era o amor pelo produto. “Essa psicologia de reunir os melhores talentos se juntava à maior característica dele, que era a competição, a garra, a vontade de fazer, de lutar, de enfrentar uma dificuldade e vencer. Ele era um guerreiro.”

“Roberto Marinho era afetivo e soube colocar duas coisas no trabalho da TV Globo: emoção e amor.” (J.B. de Oliveira Sobrinho, o Boni, ex-vice-presidente de Operações da Rede Globo)

O jornalista Carlos Henrique Schroder, diretor-geral da Rede Globo, lembra que Roberto Marinho foi um homem que mudou a história das comunicações do país pela força que tinha e pelo legado que deixou: “Ele usava essa força para o bem, para algo produtivo, com consequência. Não era para se beneficiar, para ganhar dinheiro. Ele queria algo melhor para o país.”

Jornalista ou empresário? A dúvida não importa para Boni. “Eu acho que Dr. Roberto foi, acima de tudo, um grande amigo. Um empresário brilhante com o qual aprendi inúmeras coisas. Uma pessoa extremamente afetiva, que soube colocar duas coisas no trabalho da TV Globo: emoção e amor.”