Roberto Marinho foi responsável por uma revolução na história da comunicação no país. Ao longo da vida, expandiu os empreendimentos, empregou milhares de trabalhadores e implantou um padrão de qualidade nas empresas baseado na ética e na credibilidade. Tinha orgulho de ser um jornalista, profissão que o levou a criar um grupo de mídia que se tornou defensor da liberdade de expressão, da livre iniciativa e da democracia no Brasil. Não admitia a derrota e só perdeu para a doença que o vitimou perto de completar um século.


Fernando Collor de Mello

Fernando Collor de Mello foi amigo de infância do filho de Roberto Marinho, Paulo Roberto, falecido em 1970. As famílias se conheciam desde que o ex-presidente era adolescente. O pai de Collor, Arnon de Mello, chegou a ser sócio do jornalista num projeto para o Parque Laje, no Rio de Janeiro. Mas o fato que marcou a relação entre Fernando Collor e o empresário foi a eleição para presidente em 1989. Uma edição do debate para o segundo turno entre Collor e Luiz Inácio Lula da Silva, no Jornal Nacional, foi acusada por setores da população de ter contribuído para a vitória do alagoano. A Globo, mesmo considerando que Collor havia vencido o debate e que a edição no JN  não determinou o resultado eleitoral, reconheceu o equívoco. “Acho que nós erramos. Erramos com a intenção de acertar, mas erramos. Um debate não pode ser editado porque sempre envolverá a subjetividade do editor. Desde então, nunca mais editamos debates”, comentou João Roberto Marinho, vice-presidente das Organizações Globo. 

Em entrevista ao Memória Globo, João Roberto negou que Collor tenha sido o candidato do pai. “Eu  lembro de uma simpatia dele pelo Mário Covas, que era candidato na época. Jamais houve uma orientação sobre quem iríamos apoiar. Isso não aconteceu.”

As denúncias de corrupção no governo Collor surgiram logo após a posse e tomaram conta do noticiário do jornal O Globo, da Rede Globo e da rádio CBN. Em 1992, dois anos e meio depois de assumir o cargo, a Câmara dos Deputados aprovou o pedido de impeachment de Collor. Ele renunciou e foi substituído pelo vice, Itamar Franco.