Roberto Marinho foi responsável por uma revolução na história da comunicação no país. Ao longo da vida, expandiu os empreendimentos, empregou milhares de trabalhadores e implantou um padrão de qualidade nas empresas baseado na ética e na credibilidade. Tinha orgulho de ser um jornalista, profissão que o levou a criar um grupo de mídia que se tornou defensor da liberdade de expressão, da livre iniciativa e da democracia no Brasil. Não admitia a derrota e só perdeu para a doença que o vitimou perto de completar um século.


Getúlio Vargas

Roberto Marinho, Getúlio Vargas e Herbert Moses durante discurso de Vargas, 1940. Arquivo/Memória GloboRoberto Marinho tinha uma relação de respeito e admiração por Getúlio Vargas. E era recíproco. Mas foi com o presidente que ele enfrentou os primeiros conflitos com o poder para garantir a  liberdade de imprensa. O ex- assessor, Cláudio Mello e Souza, comentava que  “o jogo político era fundamental para a sobrevivência do jornal nos anos 1930, quando Getúlio controlava os diários por meio de pressão de financiamento para esse ou para aquele”. Quando a linha editorial liberal virou a principal marca de O Globo, as boas relações com Vargas começaram a deteriorar. O vice-presidente das Organizações Globo, João Roberto, comenta: “A ditadura Vargas foi um dos períodos mais difíceis para o jornal, por causa do autoritarismo e da censura. Meu pai chegou a fazer parte do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda), criado por Getúlio em 1939, junto com um amigo dele, o jornalista Lourival Fontes. Mas também aí se posicionou contrário à política getulista quando houve a proposta do governo de intervir no jornal O Estado de S. Paulo. Meu pai se manteve firme, não aprovou e ficou sozinho na briga.”  

Em 1945, Roberto Marinho concordou com a proposta do presidente de convocar eleições presidenciais para o fim do ano. Porém, diante do movimento dos varguistas de manterem Getúlio no poder, Roberto Marinho apoiou o afastamento do presidente. Militares depuseram Getúlio e acabaram com o Estado Novo.  Eurico Dutra foi eleito novo presidente do Brasil. Nessa época, Roberto Marinho, por meio da Rádio Globo, encaminhou o pedido de um canal de TV. A concessão foi aprovada por Dutra, mas acabou cancelada na volta de Getúlio à Presidência, em 1953.