Roberto Marinho foi responsável por uma revolução na história da comunicação no país. Ao longo da vida, expandiu os empreendimentos, empregou milhares de trabalhadores e implantou um padrão de qualidade nas empresas baseado na ética e na credibilidade. Tinha orgulho de ser um jornalista, profissão que o levou a criar um grupo de mídia que se tornou defensor da liberdade de expressão, da livre iniciativa e da democracia no Brasil. Não admitia a derrota e só perdeu para a doença que o vitimou perto de completar um século.


Jânio Quadros

Roberto Marinho e Jânio Quadros conversam, sem data. Arquivo/Memória GloboO presidente Jânio Quadros, eleito em 1960, tinha uma relação próxima com Roberto Marinho. Documentos revelam uma vasta correspondência, que retrata a relação política e pessoal entre os dois. São cartões postais de viagem e cartas que tratam das articulações no poder, sucessão presidencial, avaliações políticas e econômicas, comunismo e as relações entre o Brasil e a União Soviética.  Roberto Marinho esteve presente na posse de Jânio e na recepção ao corpo diplomático, no Itamaraty. Meses depois, o presidente renunciou.


Foi no dia da saída de Jânio Quadros, em agosto de 1961, que Evandro Carlos de Andrade, ex-diretor de Jornalismo do Globo e, depois, da TV Globo, viu o futuro patrão pela primeira vez. “Ele falou comigo sem saber que estava falando comigo. Ou seja, falou como quem falasse com um poste. Nós estávamos no térreo do Palácio do Planalto, esperando o elevador. Ele olhou para mim, lívido, e disse assim: ‘Que coisa, hein?’ Só. Entramos no elevador, ele foi para o destino dele e eu para o meu. Inteiramente aturdido. Imagina o que era para aquele homem importante no país a notícia bruta de que o sujeito tinha renunciado. Porque aquilo era totalmente imprevisível.”  

Nessa época, Roberto Marinho assumiu posição contrária à posse do vice-presidente, João Goulart, ex-ministro do Trabalho de Getúlio Vargas, e apoiou a proposta de convocação de novas eleições presidenciais. Porém, diante da negociação do Congresso para implantar o parlamentarismo, mantendo Jango na presidência e Tancredo Neves como primeiro-ministro, Roberto Marinho adotou posição favorável à saída democrática para a crise.