Roberto Marinho foi responsável por uma revolução na história da comunicação no país. Ao longo da vida, expandiu os empreendimentos, empregou milhares de trabalhadores e implantou um padrão de qualidade nas empresas baseado na ética e na credibilidade. Tinha orgulho de ser um jornalista, profissão que o levou a criar um grupo de mídia que se tornou defensor da liberdade de expressão, da livre iniciativa e da democracia no Brasil. Não admitia a derrota e só perdeu para a doença que o vitimou perto de completar um século.


Regime Militar

Roberto Marinho, Presidente Castello Branco e Manuel Bandeira, 09/10/1974. Arquivo/Agência O Globo

Roberto Marinho admirava o caráter do presidente Castelo Branco, mas o relacionamento com o regime militar passou por algumas rusgas. No início dos anos 1970, os generais queriam a lista dos comunistas do jornal O Globo. O jornalista recusou e enviou a folha de pagamento dos funcionários. Ao ouvir a reclamação dos quartéis, retrucou: “Quem tem de descobrir os comunistas são vocês. Estão aí todos os funcionários do jornal.” Em outro episódio, Roberto Marinho também se negou a entregar os nomes dos jornalistas que lutavam contra o regime militar. E soltou a célebre frase: “Vocês cuidam dos seus comunistas, eu cuido dos nossos lá do Globo.” No dia em que o general Ernesto Geisel tomou posse, em 1974, o jornalista ligou para a redação e queria uma manchete que não cabia no espaço reservado pela edição. Então, sugeriu: "Bota o Médici pequenininho."

João Figueiredo e Roberto Marinho, no parque gráfico de O Globo, 06/08/1978. Paulo Moreira/Agência O GloboO empresário e jornalista também manteve estreita amizade com o general João Batista Figueiredo. "O problema é que ele tinha mania de dar ordens", revelou o ex-governador da Bahia Antônio Carlos Magalhães. “Eles eram amicíssimos, mas o Dr. Roberto não aceitava essa ousadia.” Figueiredo e a esposa, Dulce, frequentavam a casa do Cosme Velho, participando de jantares com o empresário. Eles também tinham uma paixão em comum: os cavalos. Trocaram diversas correspondências, como a que Roberto Marinho comentou com o general a compra do cavalo Camalote.


O amigo e banqueiro José Luiz de Magalhães Lins diz que o fim da amizade entre Roberto Marinho e o ex-presidente foi dramático: “Roberto me contou que pediu para fazer uma visita ao Figueiredo, quando ele foi eleito presidente. E Figueiredo falou: ‘Tá bom, você vem amanhã.’ Figueiredo era meio grosseiro para falar. Roberto chegou e, no jantar, o ajudante de ordens sentou-se à mesa com eles. Eram íntimos, e ele estranhou aquilo, jantar com o ajudante de ordens. Então, sentiu que estava diferente e passou a evitar o Figueiredo. Roberto era delicado com todo mundo e o sujeito era amigo dele. Não sei se houve intriga.”

Em carta enviada ao general Figueiredo, em 1973, Roberto Marinho reclamou das mudanças nos rumos do governo.