Roberto Marinho foi responsável por uma revolução na história da comunicação no país. Ao longo da vida, expandiu os empreendimentos, empregou milhares de trabalhadores e implantou um padrão de qualidade nas empresas baseado na ética e na credibilidade. Tinha orgulho de ser um jornalista, profissão que o levou a criar um grupo de mídia que se tornou defensor da liberdade de expressão, da livre iniciativa e da democracia no Brasil. Não admitia a derrota e só perdeu para a doença que o vitimou perto de completar um século.


Tancredo Neves

Roberto Marinho prestou apoio a Tancredo Neves desde o governo de Minas Gerais. Em 1983, quando Tancredo foi eleito, o jornalista enviou um telegrama manifestando “a confiança na experiência e na capacidade de trabalho" do político mineiro. No ano seguinte, Tancredo Neves deixou o governo para dar início à campanha presidencial. Em carta enviada a Roberto Marinho, ele agradeceu o editorial do jornal O Globo em defesa de uma cobertura completa das eleições do Colégio Eleitoral, que aconteceria no ano seguinte.

Roberto Marinho e Tancredo Neves, década de 1980. Arquivo/Memória Globo “Meu pai claramente se posicionou à favor de Tancredo. Ele achava que o governador mineiro seria o presidente adequado para construir a passagem do Brasil para a democracia plena”, recorda João Roberto. O vice-presidente das Organizações Globo lembra, ainda, que Roberto Marinho tinha dúvidas em relação às eleições diretas. “Ele ficou apreensivo com a velocidade com que as coisas estavam acontecendo. Por isso, ele apoiou eleições indiretas. Ele queria as eleições diretas com o processo democrático mais institucionalizado."

 

Em entrevista à revista Isto É, em dezembro de 1984, Roberto Marinho comentou a eleição de Tancredo Neves para a Presidência. Elogiou as manifestações populares, os depoimentos das figuras nacionais mais representativas do país e das entidades de classe. ”Todos que se identificaram no propósito de completar o projeto de abertura numa atmosfera de conciliação e respeito às instituições. O candidato da Aliança Democrática soube interpretar essa aspiração. Por isso, o povo o elegeu.” Tancredo Neves foi o primeiro presidente civil eleito após duas décadas de governos militares. Mas não chegou a assumir o poder. Internado com diverticulite na véspera da posse, Tancredo morreria 39 dias depois.